22 de out de 2012

Pequeno Johnny


Eu sou absolutamente apaixonada por tartarugas, desde criança. Disso, nenhuma pessoa que me conhece minimamente tem a menor dúvida. No dia 18 de julho deste ano, comprei minha 3ª tartaruga: uma Trachemys scripta dorbignyi com uma beleza radiante. Era, com certeza, uma das tartarugas mais lindas que já vi. Meu namorado nomeou-a Johnny (eu acho que era um machinho, porque as unhas não eram tão pequenas e o rabo era super comprido!)
O John sempre se mostrou quietinho, e demorou muito para começar a comer. Nos 3 meses que fiquei com ele, na verdade, ele só se alimentou normalmente por cerca de 1 ou 2 semanas. Adorava couve e não dava bola pra camarão desidratado (era uma raridade). Então, durante alguns dias, fez muito frio e choveu muito forte em Franca. Depois disso, ele parou de comer e apresentou um comportamento estranho: ficava muito tempo na parte seca do aquário e abria a boca pra respirar... Levei-a à veterinária (a única que cuida de tartarugas em Franca) e o John ficou lá por 1 semana, sendo alimentado por sonda e tomando injeção de antibiótico. Quando ele veio pra casa, continuou com o mesmo comportamento, porém com um adicional preocupante: manchas vermelhas no olho. Eu e meu namorado o levamos até uma loja de aquarismo, e o vendedor receitou a dissolução de comprimidos de antibiótico na água. Disse que era aquilo que iria decidir se ele viveria ou morreria. O pequeno John morreu na madrugada do mesmo dia, 20/10.

Eu ainda estou em choque. Estou me sentindo triste igual a quando meu irmão morreu. Eu sei que fiz o que pude, mas sempre resta um pouco de culpa. Eu deveria ter comprado um termostato desde o início, eu deveria ter insistido na alimentação por sonda... Sei que ele já deve ter vindo doentinho da loja, porque minhas 2 outras tartarugas, quando pequenas, sempre foram comilonas. Estou com uma sensação de perda que eu mal consigo descrever. É doloroso pensar que eu nunca mais verei aquele casco com cores e desenhos perfeitos nadando desajeitado por aí, e virando de ponta cabeça por não conseguir subir na parte seca... ele tinha um jeito muito engraçado, hehe.
Muitas pessoas acham uma besteira enorme eu estar assim por causa de uma tartaruga. Porém, eu não via o Johnny simplesmente assim - pra mim, ele era uma pequena vida pela qual eu me responsabilizei e que deveria ser  muito respeitada. Ele ficaria comigo por uns 40 anos, ele participaria de metade da minha vida. Todos os dias importantes que eu tivesse, quando eu chegasse em casa, ele estaria lá, nadando desajeitado. Eu estava planejando construir pra ele o aquaterrário mais lindo do mundo no fim do ano, ele teria um bonsai, um musgo cushion-moss e alguns peixes guppys. A vida do pequeno John foi muito curta e sofrida, a doença devia ser muito dolorosa pra ele. O que me consola é que ele parou de sofrer, e que eu fiz o que pude...
Meu coração está tão pequenino quanto ele (3,5 cm de carapaça e 6 gramas). Vá em paz, pequeno John. Sentirei sua falta e me lembrarei com carinho de você, pra sempre. =/


25 de jul de 2012

18 de jul de 2012

Love is identity

Não sei se o mundo é bom;
mas ele ficou melhor
quando você chegou
e perguntou:


"Tem lugar pra mim?"
"Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isso –
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...

E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente: eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto me dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa."

Álvaro de Campos